É pessoal... a coisa tá se espalhando. Nosso blog saiu na revista Crescer da Editora Globo e nossa história saiu no portal R7, da Record. Milhares de pessoas leram, compartilharam, nos conheceram e acessaram o blog neste fim de semana de dia das mães.
Os comentários que mais ouvi foram coisas como:
- Esse pai vale por uma mãe!
- Tem pai que é uma mãe!
- O nome disso é "Pãe"!
Nada disso gente. Pai que cuida vale por um PAI! Criança é obrigação de pai e mãe ora bolas!
Mãe que se desdobra é mãe das boas e pai que se desdobra é pai dos bons ué!
Fiquei feliz e orgulhoso com tudo que foi publicado, curtido e compartilhado sobre nossa família mas confesso que uma coisa me incomodou: meu turno duplo não é nada além do que milhões de mães fazem e fizeram a vida inteira: trabalhar fora e cuidar da casa e dos filhos. Boa parte delas com muito menos dinheiro e recursos. Sem informação, sem um bom plano de saúde, sem carro, sem latim pra se comunicar e conseguir o que é necessário pra si e os seus.
O que eu estou fazendo está sendo celebrado como se fosse grande novidade mas a única novidade real é que eu sou homem. Até acho que a mudança de mentalidade justifica alguma celebração, mas sem falsa modéstia: a única coisa que eu realmente fiz foi ter a vergonha na cara de quebrar o ciclo.
Semana passada um casal de lésbicas ganhou direito a licença maternidade pras duas. Coloquei um comentário no facebook dizendo que os casais homoafetivos, uma entidade recente, já tem mais direitos que nós, pais "convencionais". Ficamos pra trás. Quando eu disse isso, uma amiga chamou atenção: "Eles lutaram pra isso e ganharam. Sua vez."
Ela tem razão.
Eu vejo que há vários pais que se viram e participam. Há pais
solteiros, pais que adotam, pais viúvos, há muito modelo bom escondido por aí. Falta aquele
agito. Uma catarse de pais quebradores de paradigma que mudem o jeito de
criar os filhos. Pais que escrevam blogs, livros, que entrem com ações
na justiça para ter licença paternidade, berçários, direitos.
Sim, ela tem razão: nossa vez.
PS:
Alguém sugeriu que eu montasse uma palestra pra conscientizar outros pais. Gostei da idéia.
Alguém aí tem um auditório vago?
